The Collected Poems of Alberto Caeiro

The Collected Poems of Alberto CaeiroWhat am I I am one of my sensations Alberto Caeiro A poesia de Caeiro algo m gica Admito que nunca li algo como a poesia de Caeiro, que mentir n o seria cham la a verdadeira utopia A rejei o da rima e m trica mostra se quase como uma rejei o do elitismo de pensamento, aderindo a uma poesia flu da, sem forma, acess vel a todos, exatamente como a Natureza que canta e que todos podem apreciar N o imita a Natureza, algo que Caeiro nunca conseguiria sequer ponderar, mas antes reflete os pensamentos n o, sen o a pr pria forma desses pensamentos de algu m que vive e vive apenas, e cujo nico objetivo n o ter nenhum objetivo e somente viver Uma realiza o perp tua da serenidade de se ser calmo e sereno A sua poesia flui, de facto, como um rio, e n o almeja de maneira nenhuma s pretens es da poesia falsa, adornada de distra es e an lises excessivas s verdades simples.A sua poesia, pelo simples facto de ser simples, carrega em si toda a complexidade da verdade universal a de se viver e de se existir, que a nica verdade que h e pode haver Se Caeiro medita para l disso, porque a verdade necessita ser divulgada entre as mentes doentes da humanidade.Se Caeiro se contradiz, a pr pria contradi o acaba por se justificar em si mesma, porque, se a poesia de Caeiro a verdade, e a verdade a simplicidade que se desdobra sobre tudo, as suas contradi es s o apenas um dos v rios desdobramentos que a verdade engloba Caeiro contradiz se sem se contradizer pensa sem pensar torna se complexo em toda a sua simplicidade revela sem ter que revelar nem descobrir nada, pois tudo se encontra j revelado e descoberto nossa frente basta olharmos repete se sem se tornar repetitivo, cansativo.O pr prio Caeiro reconhece a sua poesia como sendo natural e espont nea, n o numa tentativa de tornar a sua poesia numa mimetiza o da Natureza, mas sim porque, at nito desconhecedor conhecedor da Natureza, reconhece na sua poesia os tra os da espontaneidade que caracterizam a Natureza e tudo o que se deve ou se pode de facto ser sem almejar a s lo O Guardador de Rebanhos XOl , guardador de rebanhos,a beira da estrada,que te diz o vento que passa Que vento, e que passa,e que j passou antes,e que passar depois.E a ti o que te diz Muita coisa mais do que isso.Fala me de muitas outras coisas.De mem rias e de saudadese de coisas que nunca foram Nunca ouviste passar o vento.O vento s fala de vento.O que lhe ouviste foi mentira,e a mentira est em ti.Poema interl dio entre o poema XIX e XX d O Guardador de RebanhosGozemos, se pudermos, a nossa doen a,mas nunca a achemos sa de,como os homens fazem.O defeito dos homens n o serem doentes chamarem sa de sua doen a,e por isso n o buscarem a curanem realmente saberem o que sa de e doen a.XXIX Nem sempre sou igual no que digo e escrevo.Mudo, mas n o mudo muito.A cor das flores n o a mesma ao soldo que quando uma nuvem passaou quando entra a noitee as flores s o cor da lembran a.Mas quem olha bem v que s o as mesmas flores.Por isso quando pare o n o concordar comigo,reparem bem para mim se estava virado para a direita,voltei me agora para a esquerda,mas sou sempre eu, assente sobre os mesmo p s O mesmo sempre, gra as a haver terrae aos meus olhos e ouvidos atentos e minha clara contiguidade de almaXXXII Ontem tarde um homem das cidadesfalava porta da estalagem.Falava comigo tamb m.Falava da justica e da luta para haver justi ae dos oper rios que sofrem,e do trabalho constante, e dos que t m fome,e dos ricos, que s t m costas para isso.E, olhando para mim, viu me l grimas nos olhose sorriu com agrado, julgando que eu sentia o dio que ele sentia, e a compaix oque ele dizia que sentia Mas eu mal o estava ouvindo.Que me importam a mim os homense o que sofrem ou sup em que sofrem Sejam como eu n o sofrer o.Todo o mal do mundo vem de nos importarmos uns com os outros,quer para fazer bem, quer para fazer mal.A nossa alma e o c u e a terra bastam nos.Querer mais perder isto, e ser infeliz Eu no que estava pensandoquando o amigo de gente falava E isso me comoveu at s l grimas ,era em como o murm rio long nquo dos chocalhosa esse entardecern o parecia os sinos duma capela pequeninaa que fossem missa as flores e os regatose as almas simples como a minha Louvado seja Deus que n o sou bom,e tenho o ego smo natural das florese dos rios que seguem o seu caminhopreocupados sem o sabers com florir e ir correndo essa a nica miss o no mundo,essa existir claramente,e saber faz lo sem pensar nisso.E o homem calara se, olhando o poente.Mas que tem com o poente quem odeia e amaXLIIIAntes o v o da ave, que passa e n o deixa rasto,que a passagem do animal, que fica lembrada no ch o.A ave passa e esquece, e assim deve ser.O animal, onde j n o est e por isso de nada serve,mostra que j esteve, o que n o serve para nada.A recorda o uma trai o Natureza,porque a Natureza de ontem n o Natureza.O que foi n o nada, e lembrar n o ver.Passa, ave, passa, e ensina me a passar Poemas Inconjuntos9 Ontem o pregador de verdades delefalou outra vez comigo.Falou do sofrimento das classes que trabalham N o do das pessoas que sofrem, que afinal quem sofre.Falou da injusti a de uns terem dinheiro,e de outros terem fome, que n o sei se fome de comerou se s fome da sobremesa alheia.Falou de tudo quanto pudesse faz lo zangar se.Que feliz deve ser quem pode pensar na infelicidade dos outros Que est pido se n o sabe que a infelicidade dos outros deles,e n o se cura de fora,porque sofrer n o ter falta de tintaou o caixote n o ter aros de ferro Haver injusti a como haver morte.Eu nunca daria uma passo para alterar aquilo a que chamam a injusti a do mundo.Mil passos que desse para issoeram s mil passos.Aceito a injusti a como aceito uma pedra n o ser redonda,e um sobreiro n o ter nascido pinheiro ou carvalho.Cortei a laranja em duas, e as duas partes n o podiam ficar iguais.Para qual fui eu injusto eu, que as vou comer a ambas 17 Quando tornar a vir a primaveratalvez j n o me encontre no mundo.Gostava agora de poder julgar que a primavera gentepara poder supor que ela choraria,vendo que perdera o seu nico amigo.Mas a primavera nem sequer uma coisa uma maneira de dizer.Nem mesmo as flores tornam, ou as folhas verdes.H novas flores, novas folhas verdes.H outros dias suaves.Nada torna, nada se repete, porque tudo real.19 Quando vier a primavera,se eu j estiver morto,as flores florir o da mesma maneirae as rvores n o ser o menos verdes que na primavera passada.A realidade n o precisa de mim.Sinto uma alegria enormeao pensar que a minha morte n o tem import ncia nenhuma.Se soubesse que amanh morriae a primavera era depois de amanh ,morreria contente, porque ela era depois de amanh.Se esse o seu tempo, quando havia ela de vir sen o no seu tempo Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo e gosto porque assim seria, mesmo que eu n o gostasse.Por isso, se morrer agora, morro contente,porque tudo real e tudo est certo.Podem rezar latim sobre o meu caix o, se quiserem.Se quiserem podem dan ar e cantar roda dele.N o tenho prefer ncias para quando j n o puder ter prefer ncias.O que for, quando for, que ser o que. a In the work of Caeiro, there is an absolute or anti metaphysical objectivism Not interested in what lies behind things Refusal thought, especially metaphysical thought, saying thatthinking is to have sick eyes b Caeiro, poet of the gaze, tries to see things as they are, without giving them meanings or human feelings Considers that things are as they are.c Build a poetry of sensations, appreciating as good ones for being natural For him, the thought just fake things.d In a clear opposition between feeling and thinking, the world from Caeiro is one that is perceived by the senses, that we learned to have existence, shape and color The world exists and, therefore, just feel it, just try it through the senses, in particular through the seeing.e Seeing is understanding Trying to understand the thought, by reason, is not knowing how to see Alberto Caeiro sees with the eyes, but with the mind Considers, however, that is necessary to know be aware of theeternal newness of the world f Condemns the excessive feelings, because from a certain degree the sensations move from happy to sad.g In Caeiro, poetry of feelings is also a poetry of natureArgonauta of real feelings,the poet teaches the simplicity, which is primitive and natural.h Opting for country life, believes in nature, defending the need to comply with it, to be part of it.i By the belief in Nature, the Master proves to be a pagan poet who knows how to see the world of sense, or rather that he sees the sensible world where it reveals the divine, as it does not need to think.j To try to see things as they really are, sublimates the real, a pantheistic attitude deification of nature beings.l In this pantheistic attitude that things are divine, devalues the conceptual category time.m The poet confesses not haveambitions or desiresBeing a poet is theirway of being alone Hoje de Manh Sa Muito Cedo Hoje de manh sa muito cedo, Por ter acordado ainda mais cedo E n o ter nada que quisesse fazer N o sabia por caminho tomar Mas o vento soprava forte, varria para um lado, E segui o caminho para onde o vento me soprava nas costas Assim tem sido sempre a minha vida, e assim quero que possa ser sempre Vou onde o vento me leva e n o me Sinto pensar Alberto Caeiro, in Poemas Inconjuntos Even though lvaro de Campos is my favorite of Pessoa s heteronyms, I appreciate Alberto Caeiro very much as well There s so much the reader can take in and possibly learn from his words I believe we all wish we were able to think like Caeiro at times, and it s a good feeling to read the purity and honesty present in his words. Ai Caeiro, Caeiro Por mais que goste de Pessoa, Caeiro ser sempre o heter nimo que menos gosto dos 3 grandes heter nimos,claro A opini o focar se na edi o deste livro e n o nos poemas em si o facto de n o gostar de Caeiro uma quest o de gosto pessoal N o gosto de poesia pastoral e com um certo sentimento de deambula o, n o encontro conforto nem consigo entrar na realidade do sujeito po tico acaba mesmo por ser um choque de personalidades , acho que seguro dizer que sou o oposto de Caeiro Com isto dito, vou apenas dar uns pequenos pontos quanto edi o.Os poemas est o bem organizados, o ndice est bastante acess vel Em aspectos formais, a fonte ideal, tem um espa amento agrad vel, n o ficamos cansados pela leitura ADORO o material deste livro, male vel e f cil de se carregar, dobrar e ler Uma grande salva de palmas ao Expresso por ter organizado esta obra, vale a pena t la Pena que tenha apenas este volume Nunca tinha lido todos os poemas de Alberto Caeiro e gostei mais do que achava o meu favorito o lvaro de Campos, e o pr prio Fernando Pessoa Esta A Terceira Edi O Da Poesia Completa De Alberto Caeiro Na S Rie Das Obras De Fernando Pessoa Publicadas Pela Ass Rio Alvim Bem Agora Aumentada De Um Novo Poema E De Corre Es Em Certos Versos, Assim Tentando Avan Ar Na Aproxima O Mais Limpa E Respeitadora Edi O Poss Vel De Um Conjunto De Texto Que Constitui, Talvez, O Cerne Po Tico Da Obra De Fernando Pessoa Pelo Menos, Do Mestre Que Se Trata, Isto Segundo A Fic O Dos Heter Nimos Que Nos Transmitida Pelo Autor Ou Seja O Lugar De Uma Singularidade Extrema Em Termos Composicionais E Ret Ricos, Que, Al M Disso, Oferece A Todos Os Que O Lerem Uma Cura De Felicidade Hoje revisitei Alberto Caeiro e os seus tr s contributos mais conhecidos os Poemas Inconjuntos, o Pastor Amoroso e o Guardador de Rebanhos.Que dizer deste Poeta que nem se considera poeta e que um paladino de NADA se dizer, precisamente porque o que se diz mascara a realidade daquilo que Demos a palavra ao Poeta Alberto Caeiro Poemas Inconjuntos Dizes me tu s mais alguma cousaQue uma pedra ou uma planta.Dizes me sentes, pensas e sabesQue pensas e sentes.Ent o as pedras escrevem versos Ent o as plantas t m ideias sobre o mundo Sim, escrevo versos, e a pedra n o escreve versos.Sim, fa o ideias sobre o mundo, e a planta nenhumas.Mas que as pedras n o s o poetas, s o pedras E as plantas s o plantas s , e n o pensadores.Tanto posso dizer que sou superior a elas por isto,Como que sou inferior.Mas n o digo isso digo da pedra, uma pedra ,Digo da planta, uma planta ,Digo de mim, sou eu.E n o digo mais nada Que mais h a dizer Este poema pode, melhor que eu, explicar o sentido deste Poeta que fala contra os poetas e os fil sofos Com efeito, afirma Para ver as rvores e as flores preciso tamb m n o ter filosofia nenhuma.Com filosofia n o h rvores h ideias apenas O espelho reflecte certo n o erra porque n o pensa.Pensar essencialmente errar.Errar essencialmente estar cego e surdo Dir me o H uma contradi o essencial entre dizer isso e mesmo assim escrever Poesia Porqu , ent o, simplesmente n o dizer nada Mas a contradi o faz parte da Natureza Humana e Fernando Pessoa, desmultiplicado nas v rias Personalidades que se criou talvez, neste Alberto Caeiro, quisesse mostrar a quem cerebraliza tudo demais, que poss vel escrever uma Poesia de apenas dizer o que se v , sem ju zos de valor Nesse Acto de VER, faz lembrar o Fil sofo Krishnamurti.Por outro lado, introduz nos seus poemas tamb m a quest o do TEMPO Vive s no presente.Mas eu n o quero o presente, quero a realidade Quero as cousas que existem, n o o tempo que as mede.O que o presente uma cousa relativa ao passado e ao futuro uma cousa que existe em virtude de outras cousas existirem.Eu quero s a realidade, as cousas sem presente Passemos agora para Alberto Caeiro O Pastor Amoroso O amor uma companhia.J n o sei andar s pelos caminhos,Porque j n o posso andar s.Um pensamento vis vel faz me andar mais depressaE ver menos, e ao mesmo tempo gostar bem de ir vendo tudo.Mesmo a aus ncia dela uma coisa que est comigo.E eu gosto tanto dela que n o sei como a desejar.Se a n o vejo, imagino a e sou forte como as rvores altas.Mas se a vejo tremo, n o sei o que feito do que sinto na aus ncia dela.Todo eu sou qualquer for a que me abandona.Toda a realidade olha para mim como um girassol com a cara dela no meio Pequeno conjunto de poemas enamorados, no final do qual o Poeta conclui que n o chegou a ser amado, mas amou, n o deixa de transmitir aqui a solid o acompanhada se lhe posso chamar assim de quem AMA.E passemos ent o para Alberto Caeiro O Guardador de Rebanhos Creio no mundo como num malmequer,Porque o vejo Mas n o penso nelePorque pensar n o compreenderO Mundo n o se fez para pensarmos nele Pensar estar doente dos olhos Mas para olharmos para ele e estarmos de acordoEu n o tenho filosofia tenho sentidosSe falo na Natureza n o porque saiba o que ela ,Mas porque a amo, e amo a por isso,Porque quem ama nunca sabe o que amaNem sabe por que ama, nem o que amarAmar a eterna inoc ncia,E a nica inoc ncia n o pensar Alberto Caeiro uma voz pur ssima que se eleva contra o mau h bito que temos de querer explicar tudo, e no processo substituirmos a realidade por floriados estanques de mentes imperfeitas Por vezes, os seus poemas remetem nos para uma esp cie de ZEN, quer pelo seu efeito de KOAN frases que, ao serem sem sentido ou contradit rias, levam a mente a deparar com a impossibilidade de resolver o desafio e nesse bloqueio, provocam uma abertura em que os pensamentos param e o REAL pode irromper , quer pela forma natur stica que propugna O essencial saber ver,Saber ver sem estar a pensar,Saber ver quando se v ,E nem pensar quando se v Nem ver quando se pensa.Mas isso tristes de n s que trazemos a alma vestida ,Isso exige um estudo profundo,Uma aprendizagem de desaprender A aprendizagem de desaprender remete nos mais uma vez para um Krishnamurti A vis o essencial n o passa pelo c rebro Sim, eis o que os meus sentidos aprenderam sozinhos As cousas n o t m significa o t m exist ncia.As cousas s o o nico sentido oculto das cousas E para quem pudesse perguntar, ent o, como se explica que tenha escrita tanto, quando advoga apenas o saber ver Ele pr prio responde Ainda assim, sou algu m.Sou o Descobridor da Natureza.Sou o Argonauta das sensa es verdadeiras.Trago ao Universo um novo UniversoPorque trago ao Universo ele pr prio Maria CarmoLisboa 31 de Janeiro de 2012. It was a pleasure reading these profound poems by Pessoa Of my favorite lines I hear the wind blow, and I feel that it was worth being born just to hear the wind blow.

Fernando Pessoa.Alberto Caeiro was born in Lisbon, in 1889 and died in 1915, but lived most of his life in the country with an old great aunt because he was orphaned from a young age He had blonde hair and blue eyes He finished his primary school education and had no profession.How did this heteronym come about Fernando Pessoa tells us one day he decided to play a trick on S Carneiro so he drew up a bucolic poet, of the complicated kind and had them meet, I can t remember how, in some sort of real context I spent some days trying to formulate the poet but achieved nothing One day, on the verge of giving up March 8th 1914 I approached a high chest of drawers and, began to write something down on a piece of paper, while standing, as I like to do, whenever possible And so, taken over by some strange, indescribable kind of trance, I wrote 30 something poems in one stretch That was the most triumphant day of my life and I will never experience another like it I began with the title The Keeper of Flocks And what followed was the birth of someone within me, whom I immediately named Alberto Caeiro Please excuse the absurdity of the phrase my master will appear within me But that was my immediate sensation When Fernando Pessoa writes as Caeiro, he claims to do so in pure and unexpected inspiration, not knowing or guessing what he will write Source Fernando Pessoa s Letter to Adolfo Casais Monteiro, January 1935, in Correspond ncia 1923 1935, ed Manuela Parreira da Silva, Lisbon, Ass rio Alvim, 1999.

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  • Paperback
  • 312 pages
  • The Collected Poems of Alberto Caeiro
  • Alberto Caeiro
  • Portuguese
  • 27 September 2018
  • 9788535902006

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